4 aprendizados que tivemos no Interaction South America 2015

Publicado por Lívia Amorim e Simone Beltrame no dia design

Interaction South America 2015 Logo

Dos dias 18 a 21 de novembro aconteceu o Interaction South America 2015 (ISA 2015), maior evento sobre Design de Interação, Experiência do Usuário, Tecnologia e Informação da América Latina. O evento foi sediado em Córdoba, Argentina, e teve a presença de palestrantes de peso, como Stephen P. Anderson (autor do livro Seductive Interaction Design), Cindy Chastain (Customer Experience Designer na MasterCard), Christian Rohrer (Vice-presidente e Chief Design Officer na Intel Security), Russ Unger (co-autor dos livros A Project Guide to UX Design e Designing the Conversation), Jason Severs (Diretor Criativo Executivo na Frog), Jesse James Garrett (cofundador e Chefe criativo na Adaptive Path), entre outros.

O ISA 2015 teve como temática “Design is a serious business”. Segundo Yamila Martina, coordenadora do evento, “temos que colocar esse assunto em pauta, pois na América Latina ainda não falamos muito sobre isso”. O design está cada vez mais fazendo parte da gestão das empresas, e os designers precisam entender todo esse contexto e ter conhecimento de gerenciamento de produto, negócios, desenvolvimento, etc.

Design is a serious business como temática do evento

Nós fomos ao ISA para apresentar o case da Resultados Digitais sobre a escalabilidade do time de design, mas também aproveitamos para coletar dado sobre outras empresas. Abaixo, trouxemos quatro aprendizados que tivemos nesses quatro dias de evento:

1. Tudo é quantificável, inclusive as emoções do usuário

Tudo é quantificável, inclusive as emoções do usuário

A importância de analisar as emoções dos usuários foi um tema abordado em várias palestras e workshops. Alexis Brantes, UX Strategist na Posmo, frisou na palestra User-emotion analysis: midiendo los estados emocionales biológicos y cognitivos de los usuarios en ambientes controlados que 85% das escolhas são inconscientes. A emoção é o impulso para a ação, por isso é importante investir em pesquisas sobre a emoção do usuário. Para facilitar essas pesquisas, Brantes criou o User Motion, um sistema que lê os traços das reações e expressões faciais do usuário.

No workshop Products with personality: tools to define trait-based design principles, Patricio Maller e Pablo Piccolotto abordaram que além de medir as metas tradicionais de usabilidade e eficiência, precisamos de metas para as emoções sentidas pelo usuário; desejo, sedução e persuasão. Eles afirmaram que o próximo grande desafio é fazer a ponte entre o comportamento social dos usuários e o design de produto para infundir a personalidade dos usuários nos produtos que criamos. Projetar a personalidade pode levar a relacionamentos mais satisfatórios e significativos com os usuários. No workshop fizemos várias práticas que podem ser utilizadas para criar produtos com personalidade, tais como: proto-persona, jornada do usuário, moodboards com a roda de emoções de Plutchick. Finalmente, sintetizamos os resultados usando a estrutura de personalidade tipológica de Myer-Briggs (com base na escala de Jung de tipos de personalidade) para delinear os princípios de design baseado na personalidade.

Já o palestrante Stephen P. Anderson, apresentou a diferença entre empresas focadas no produto e empresas focadas na experiência do usuário. Ele mostrou como as empresas focadas em experiência oferecem produtos incríveis, por exemplo, Slack e Medium. Segue abaixo as principais diferenças:

Foco na experiência Foco no produto
Pessoas, atividades e contexto Tarefas e requisitos
Resultados e experiências Entregas e funcionalidades
Percepções, emoções, atenção, memória Interfaces, interações, usabilidade

Stephen deu dicas para criar uma grande experiência:

  • Alinhar em torno da experiência
    • Olhar para as necessidades (o porquê e quando).
    • Deixar a experiência desejada conduzir as decisões de produto (e negócios).
    • Alinhar toda a equipe em torno do resultado desejado.
  • Ser obcecado por detalhes
    • Manter a iteração, até sentir que tudo está certo.
  • Focar no todo
    • Não apenas as partes.
    • Não apenas em alguns momentos lúdicos.
  • Focar em usuários impressionantes
    • Procurar oportunidades para criar experiências transformadoras.

2. Unicórnios não escalam

Unicórnios não escalam

Unicórnios são aqueles designers que fazem de tudo: da ideação à implementação. São figuras importantes para determinados cenários, como uma startup em crescimento, por exigirem menos recursos que um time de especialistas. Eles entregam rápido, tomam decisões importantes e colaboram com o crescimento da startup. O problema é que, conforme a empresa cresce, ter muitos unicórnios pode causar pequenas inconsistências metodológicas e de interface. A fórmula ideal das startups não é escalável; é preciso criar um processo que possibilite a contratação de novos designers para que o time cresça organicamente.

A Resultados Digitais passou por isso, assim como Twitter, Facebook e outras empresas famosas pelo processo de design. Rachel Daniel (MaxPoint) e Amanda Stockwell (352 Inc), líderes de UX, também comentaram sobre isso na palestra Confessions of an Ex Unicorn (Confissões de uma Ex-Unicórnio), porém focando em como driblar empresas que pedem um perfil generalista. Um problema apontado por elas é o número de empresas que contratam designers sem ter um job description claro, sendo elas startups ou não. A falta de cultura de design, além de comprometer a escalabilidade, faz com que a visão sobre o profissional fique deturpada e os designers não se especializem ao longo da carreira.

Algumas dicas passadas pelas designers foram:

  • Veja o que você mais gosta de fazer e aprenda ainda mais sobre isso.
  • Converse com profissionais de outras empresas e veja como é o dia-a-dia deles.
  • Especialize-se e converse com seu gestor sobre isso.
  • Sempre deixe suas expectativas claras durante o processo seletivo de alguma vaga.

3. É preciso integrar Experiência do Cliente (CX) e Experiência do Usuário (UX)

É preciso integrar Experiência do Cliente (CX) e Experiência do Usuário (UX)

Experiência do Cliente (CX) é diferente de Experiência do Usuário (UX). A experiência do cliente exige uma visão estratégica do negócio, compreendendo a jornada do cliente por todo o processo, enquanto a experiência do usuário está relacionada com arquitetura de informação, design de interação, testes de usabilidade e mapeamento das experiências no produto. Portanto, UX encontra-se dentro de CX, considerando que as interações do cliente fazem parte de sua jornada.

Para Cindy Chastain, líder de CX da MasterCard, separar as duas vertentes pode trazer falta de consistência entre elas. É preciso garantir que não haja incoerência entre a jornada do cliente até sua chegada ao produto e o uso propriamente dito. Cada ponto de contato é uma oportunidade de criar valor que impulsiona a preferência e a ligação emocional com uma marca.

Para as empresas sobreviverem e se destacarem no cenário atual, a CX precisa enfatizar Design como principal ingrediente, tanto como prática quanto forma de pensar.

4. Precisamos pensar no design do futuro

Precisamos pensar no design do futuro

O pessoal da Futurice ministrou os workshops Innovation and Futures Thinking: Are You Leading or Following? e Creating tomorrow’s cities together. Ambos trataram de entender as previsões e tendências e de onde elas vêm, para alimentar o processo de design de serviço, que resulta em melhor valor de negócio.

Eles falaram sobre identificar, compreender e prever as necessidades e oportunidades emergentes usando cenários futuros e aprender como transformar ideias de tendências em potencial de negócio. Ricardo Brito falou da importância de definir o que a empresa e o software devem ser em 5 anos. As pesquisas de análise do futuro e tendências são relevantes porque o software deve ser facilmente adaptado para as mudanças.

A interseção das três grandes áreas: Inovação, Service Design Thinking e Future Research, possibilita oportunidades de negócio. Para isso é preciso que as equipes trabalhem juntas fisicamente; engenheiros, designers, analistas de negócios, etc.

Conclusão

Além das palestras e workshops, interagimos com vários designers da América Latina e do mundo. Isso faz do ISA um evento incrível, onde podemos trocar experiências do nosso dia a dia de trabalho, trazendo insights e uma motivação para sair da zona de conforto!

E aí, gostou dos aprendizados do ISA 2015? Deixe seu comentário! A próxima edição já está confirmada para acontecer em Santiago, Chile. Você também pode ver nossas impressões sobre a edição de 2014 aqui no Ship It!.

Lívia Amorim

Lívia Amorim

UI/UX Designer

Simone Beltrame

Simone Beltrame

UX Designer

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