A cultura de MVP dentro do desenvolvimento de cada nova funcionalidade

Publicado por Diego Pereira no dia agile

Um pouco sobre Lean no nosso desenvolvimento

Somos apaixonados por Lean na Resultados Digitais. Eu particularmente desde épocas de chão-de-fábrica em estágios na faculdade de engenharia mecânica. As vezes essa palavra perde seu conceito inicial, que deriva de um Japão pós-guerra destruído e onde recursos escassos eram o padrão de toda uma indústria que precisava voltar a produzir. Essas condições - uma situação vivida por muitos times de produto hoje - desenvolveram uma cultura de grande valor em corte de desperdícios, eficiência e fazer mais com menos.

Como aplicamos este importante valor e seus conceitos no dia-a-dia do desenvolvimento do RD Station? Primeiramente, ele é tão integrado a empresa e ao time que oficialmente é um dos Valores do Culture Code da Resultados Digitais. Mas para mobilizar estas ideias num processo real de Gestão de Produto, utilizamos uma gestão de portfólio de épicos (projetos) em um fluxo contínuo e puxado (Kanban) que alimenta Releases dos times de desenvolvimento e consequentemente as Sprints destes.

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Em outros posts vamos tratar de como isso acontece na prática, tanto a gestão de portfólio, as releases e consequentemente as Sprints. Neste quero tratar um pouco mais sobre uma das fases iniciais do nosso kanban de portfólio, no qual chamamos de MVP (Minimum Viable Product).

O que é a fase de MVP no nosso desenvolvimento

MVP, Minimum Viable Product, é um dos elementos principais do movimento de Lean Startup. Mantemos o nome MVP em referência a está bem estruturada metodologia, mas na prática tratamos de MVF - Minimum Viable Feature.

Para entendermos o MVF é importante entender onde ele se encaixa dentro do nosso processo de Desenvolvimento. Na primeira fase - Estudo & Benchmarking - buscamos entender a fundo o problema dos nossos usuários referente a determinada área (existente ou não) do produto e fazemos benchmarking de como outros resolvem este problema, lembrando que preciosos recursos não podem ser desperdiçados em cometer o mesmo erro que outros já aprenderam. Assim criamos hipóteses de problemas e resultados esperados se os solucionarmos. Nem todo projeto passa por esta fase. O RD Station é um produto complexo e com diversas possibilidades de evolução. Temos que ser muito conscientes nas nossas escolhas de Roadmap.

Passando por este estudo de problema e benchmarking, a próxima fase é então a de MVF, que é alimentada por este estudo de problemas e critérios de sucesso que o projeto deve cumprir, um business case.

Quando em MVF, o projeto já possui uma hipótese inicial de solução. Cabe então ao Dono do Projeto - com poucos recursos - desenvolver uma solução barata e factível para testar o valor da proposta. Buscando tornar o teste real, o MVF tem que ser mensurável com dados, para assim apresentar argumentos defensáveis e quantitativos para disparar o desenvolvimento da solução completa. Atingindo o critério de sucesso do MVF, ele seguirá para a fase de Solução (Design) do nosso kanban de portfolio. Caso não, falharemos cedo e gastando pouco, e um novo approach para resolver o problema levantado será estudado. Desenvolvimento de produto Lean é baseado no Loop Build - Measure - Learn, com a fase de MVF buscamos trazer este ciclo para o início de uma nova feature. Se uma primeira hipótese de solução falhar no MVF, não significa que temos que jogar ela no Lixo, mas simplesmente revisá-la, melhorá-la e testá-la novamente.

Como o MVF funciona na prática?

Tudo se resume a palavra mínimo. Um MVF é o mais básico desenvolvimento e teste que podemos fazer para provar que uma proposta solução tem o potencial (ou não) de atingir seu critério de sucesso. Veja que o MVF não precisa provar o critério de sucesso definitivo de uma solução final, nem mesmo deve ter o mesmo critério de sucesso de determinada solução, mas apenas demonstrar que a solução final tem grande potencial de atingir seu critério de sucesso. Logo os indicadores de sucesso de uma determinada solução e seu MVF podem ser diferentes.

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Mas como desenvolver algo igualmente rápido, barato e mensurável? Definitivamente não é fácil, e é aqui onde um pensamento criativo e Lean entram em jogo. Abaixo algumas dicas que podem ajudar:

  • Não precisa ser um software. Use a imaginação para criar algo que prove o valor da sua solução de maneira rápida. Excel, Power Point e outras ferramentas ajudam muito!
  • Se você não consegue medir, nem comece. Como provar o valor de algo que você não consegue medir. Sua palavra e opinião não é bom o suficiente. A opinião e comportamento dos seus usuários é o que realmente importa.
  • Teste seu MVF com usuários de verdade, e não com colegas de trabalho.
  • Lembre-se! É um ciclo de Build/Measure/Lean. Você poderá estar errado na sua primeira hipótese de solução, mas isso não significa que deves começar do zero, aprenda e melhore sua próxima hipótese.
  • Você não precisa de um MVF para toda pequena (ou grande) melhoria do seu Produto. Algumas coisas são pequenas ou obvias demais e seus critérios de sucesso já estão bem claros de ser atingíveis. Faça MVF de soluções que você precisa provar o valor destas.
  • KISS - Keep it Simple Stupid! Um bom MVP é algo que você consegue construir, talvez, em apenas um dia! Sim, um dia, porque não?

Resultados para a Gestão do RD Station

Esta fase no nosso flow de desenvolvimento do RD Station traz claros benefícios na qualidade daquilo que priorizamos no nosso Roadmap. O produto começa a crescer focado em métricas claras e assertivas. Ao testar e validar soluções (e suas hipóteses) logo em sua gênese, temos maior segurança de atingir o critério de sucesso de cada novo projeto, assim como segurança de descartar soluções que se provaram erradas antes mesmo de desenvolvê-las. A própria previsibilidade de métricas de produto se torna mais assertiva, já que sabemos o que esperar no futuro de projetos já validados no nosso Roadmap.

Outro aspecto importante é a disseminação de cultura Lean para o time. Princípios Lean ainda podem parecer contra-intuitivos em alguns momentos. Ao experimentar e vivenciar os resultados de um processo Lean, incorporamos melhor tal cultura. Isso estabelece um ciclo vicioso onde o processo de produto desenvolve uma cultura e a cultura é essencial para a melhoria contínua do processo de produto em sí.

Diego Pereira

Diego Pereira

Product Manager

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