Como escrever ágil em 7 passos

Publicado por Leonardo Lima no dia gestão

Já vi programadores experientes sofrerem horas intermináveis para escrever uma mini-biografia. Engenheiros que modelam estruturas complexas em poucas horas passarem dias escrevendo um post de cinco parágrafos. Na intenção de salvar essas pessoas incríveis de um calvário inexistente, resolvi compartilhar meus sete passos para escrever de forma ágil.

TL;DR Elimine distrações e escreva a introdução por último.

Escrever é bem diferente de ler. Para textos argumentativos, é importante que, na hora da leitura, o texto se desenvolva com a naturalidade de uma Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Você quer inovar com o conteúdo e não distrair a atenção do leitor para a estrutura.

Buscando fazer isso de forma ágil, desenvolvi sete passos que ajudam no pontapé inicial e compartilho agora com vocês:

1. Feche tudo!

Feche tudo que está aberto: navegadores, editores de código, chat rooms (Slack, Skype, Telegram…). Mesmo que você tenha que abri-los novamente para escrever, não tenha preguiça e mate as distrações!

Pra quem não tem o hábito diário - jornalistas e escritores, por exemplo - escrever não é uma tarefa fácil. Sim, eu sei que você consegue programar features incríveis no meio de um pregão da bolsa, mas escrever exige que seu cérebro use sintaxes e regiões pouco exercitadas. Portanto, encerre suas threads paralelas, pegue um café novo e concentre-se.

Ainda está com algumas janelas abertas? Talvez esse texto seja mais convincente.

2. Organize suas ideias e faça tópicos com os pontos-chave

Seja no papel, no editor de código ou no Google Docs, é importante que você tenha uma ideia visual da estrutura textual. Não confie em sua memória: você sempre vai esquecer de algum assunto importante se listá-los apenas de cabeça.

Por meio de filmes ou seriados, temos a impressão que escrever é um ato contínuo, ou seja, basta sentar na cadeira e escrever o texto de cabo a rabo: da introdução à conclusão em uma única respiração.

GIF WRITING LIKE A GOD

Assim como nós, programadores, achamos graça quando vemos atores digitando letras aleatórias em geradores de código automáticos, somente Tolkien, George Martin (e o Caco!) poderiam escrever com tanta fluidez.

3. Pense no diferencial

A vida online é uma tentação infinita de estímulos e distrações. Por isso, pense em como o conteúdo que você vai oferecer fará alguém parar vários minutos para ler e entender um texto. Se for para escrever mais do mesmo, será que não é melhor twittar um link com o conteúdo definitivo daquilo que você iria passar apenas na superfície?

É importante que o leitor sinta a sua paixão e envolvimento com o assunto desde o título, passando pelas imagens, gifs e hiperlinks, até chegar em uma conclusão matadora. Claro que é difícil escrever sobre algo totalmente inédito, porém, se o leitor conseguir sentir empatia através da sua dedicação em escrever sobre o assunto, tenha certeza que ele irá curtir e compartilhar seu conteúdo.

4. Escreva!

Até agora estávamos nos preparando para escrever da melhor forma possível. Com a prática, o Poder do Hábito fará com que esse início tenda a ficar cada vez mais rápido e automatizado.

Retorne aos pontos-chave que você escreveu no início da sua preparação e desenvolva livremente cada um deles. Cite referências, busque metáforas pessoais que façam sentido e, sempre que possível, mostre exemplos práticos do argumento que você está defendendo.

5. Refine

Depois de desenvolver cada um dos tópicos, pense em como você pode deixá-los mais didáticos e atraentes. Nesse momento, gosto de usar imagens que, além de serem bonitas, façam sentido para reforçar aquilo que estou escrevendo. No caso da área de desenvolvimento, é extremamente recomendável usar code boxes para exemplificar e deixar a explicação técnica mais didática.

Esse também é o momento de se dedicar à conclusão.

Leio muitos textos em que os tópicos são desenvolvidos com maestria mas que, na hora do arremate final, o autor deixa a desejar. A conclusão é uma parte fundamental para o seu texto pois será a última chance de reforçar uma ideia ou um conceito.

Provavelmente, será da conclusão que o leitor irá recuperar a frase de compartilhamento usada nas redes sociais.

6. Revise!

Assim como em nossas interações profissionais, buscar feedbacks enquanto o texto ainda está nascendo é fundamental. Use corretores automáticos, mostre o seu texto para aquele amigo que sempre foi bem em Português, para seu colega de trabalho e/ou namorada. Quanto mais gente passar o olho no seu texto antes de ele ir pra rua, melhor. Lembre-se da lei fundamental do feedback: você só deve aceitar se fizer sentido para você (ou para o texto).

Minha dica de ouro para esse momento é: não se apegue demais ao seu texto! Nunca levar uma crítica ao texto para o lado pessoal fará com que o resultado final fique infinitamente melhor.

7. Escreva a introdução

Um senso comum no meio literário é que o texto tem vida. No início da escrita, dificilmente você tem controle sobre como as ideias serão desenvolvidas e conectadas. Por isso, eu sempre deixo para escrever a introdução no final do processo.

É nesse momento que eu sei quais pontos foram melhor descritos e qual é a ideia mais sedutora que deverá capturar a atenção do meu leitor para o restante do texto. Lembre-se que o primeiro parágrafo é o que vai decidir se vale a pena ou não continuar lendo.

Se você já estiver cansado, dê uma pausa e deixe para escrevê-la outra hora.

*

Todas essas dicas encerram-se em si. Ou seja, antes de serem regras, são sugestões práticas e ágeis de como começar a botar suas ideias no mundo. É importante que cada um desenvolva o auto-conhecimento para saber qual o melhor momento - e qual a forma mais adequada - para se dedicar à confecção de um texto.

Dito isso, a dica final é: não tenha medo de quebrar a linearidade de um texto. Escreva a conclusão no início, vá tomar um banho, desenvolva alguns parágrafos e termine escrevendo uma bela introdução.

Leonardo Lima

Leonardo Lima

Team Leader

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