Como estamos integrando UX à Metodologia Ágil

Publicado por Lívia Amorim e Simone Beltrame no dia agile, design

A equipe de produto da Resultados Digitais respira cultura ágil. Desde o início, o Scrum foi adotado como processo de desenvolvimento e possibilitou a implementação de inúmeras funcionalidades em pouquíssimo tempo. Além de ágeis, somos Lean: não gostamos de desperdí­cios e sempre otimizamos nosso processo de acordo com nossos recursos, tanto para o desenvolvimento de novas funcionalidades quanto para manutenção e melhoria de existentes.

Nosso time é separado em pequenas equipes auto-suficientes responsáveis por parte da release mensal. A equipe pode variar de acordo com a release, mas geralmente alocamos um designer por equipe, que deve ter no máximo seis pessoas. Dentro das releases, as tarefas do backlog são alocadas dentro de quatro sprints com o período de uma semana. Cada tarefa é uma entrega de valor para o cliente, uma funcionalidade concluída.

Scrum framework

No entanto, tem aumentado a compreensão da importância de se garantir uma boa Experiência do Usuário (UX) para o sucesso do produto.

Agile vs. UX

Estas duas abordagens usam diferentes maneiras para a alocação de recursos em um projeto. De um lado, através de iterações curtas, métodos ágeis concentram esforços para entregar pequenos conjuntos de funcionalidades de software para os clientes o mais rápido possível. De outro, a abordagem da Experiência do Usuário defende gastar esforços em pesquisa e análise do comportamento do usuário antes do desenvolvimento começar. Utilizando a Metodologia Ágil, frequentemente o produto é lançado de forma rápida, sem que o processo de UX seja concluí­do ou ao menos iniciado.

Na Metodologia Ágil as versões em desenvolvimento são periodicamente entregues aos clientes. O feedback destes clientes influencia o atual ciclo de implementação e direciona o planejamento dos ciclos futuros. O cliente não é uma pessoa externa à equipe de produto, que compra ou utiliza o produto, ele interfere nas tomadas de decisão da equipe de produto.

Esses feedbacks são preciosos mas ficam no âmbito das funcionalidades desejadas e, para se ter uma boa experiência do usuário, é necessário observar o comportamento do usuário enquanto ele está usando e interagindo com a ferramenta. Muitas vezes, o usuário não sabe o que realmente quer ou como melhorar. É um dever nosso –€“ da equipe de desenvolvimento – entregar a melhor experiência possí­vel para nossos usuários.

Um ponto interessante é que nosso principal produto, o RD Station, começou com apenas três clientes. Era relativamente simples testar hipóteses em produção. Hoje, com mais de mil clientes, esses testes passaram a ser mais complexos. É um risco não pensar na UX desde o início do projeto, pois, uma vez que o produto é lançado, os usuários já gastaram tempo para aprender a utilizá-lo, sendo mais difícil qualquer mudança.

UX no time de produto

De acordo com o modelo de maturidade da empresa argentina Keikendo, referência em design centrado no usuário, a Resultados Digitais se encontra no nível dois de maturidade em UX, como a maior parte das empresas ainda no Brasil. O produto é projeto pensando em como os usuários deveriam usar o software, ou seja, os usuários são fictícios e muitas vezes idealizados. Por essa razão, eles nãƒo participam diretamente do processo de design.

Sabemos a necessidade de integrar UX à Metodologia Ágil, temos esse discurso e, inclusive, profissionais especializados na área. Estamos trabalhando em melhorias de processo e investindo para seguirmos para o próximo nível onde, a partir de testes de usabilidade, poderemos formalizar este processo e quantificar os resultados obtidos.

Modelo de Maturidade Keikendo

O teste de usabilidade é a ferramenta mais poderosa para superar a resistê‚ncia neste nível. Ao observar pessoas reais usando um produto ou interface, preconceitos começam a desmoronar e é possível descobrir quais são as dificuldades no uso do produto. Por isso, dentre todas as ferramentas de UX, optou-se em focar nos testes de usabilidade, por ser o método que mais se adequa ao nível inicial de maturidade em UX que nos encontramos.

A melhor prática para incorporar UX na Metodologia Ágil é a construção de uma cadê‚ncia regular de envolvimento com o usuário. Nossa proposta é fazer interaçõƒes com os usuários para investigar sua experiê‚ncia ao usar o produto, pesquisar seu comportamento e sequê‚ncia de atividades ao usar o software. Para isso, propomos incorporar testes de usabilidade em todas as etapas do processo de desenvolvimento com o intuito de melhorar a UX do software bem como promover uma maior proximidade entre o produto, a marca e o usuário.

Busca-se a participação do usuário nos seguintes casos:

  1. Investigação - atividades de investigaçãƒo da Experiê‚ncia do Usuário e coleta de requisitos dependem se o que vai ser desenvolvido é uma nova funcionalidade ou uma melhoria de uma existente. Para uma funcionalidade completamente nova, faz-se entrevistas com usuários a fim de investigar suas necessidades e entender o domínio, o contexto e as limitações do usuário referente à nova ferramenta. Já para a melhoria de uma existente, recomenda-se um teste de usabilidade com a funcionalidade em questão para identificar as partes boas que devem ser mantidas ou enfatizadas e as partes ruins que causam problemas aos usuários.
  2. Testes de usabilidade com protótipos - definido o escopo da iteração é recomendável fazer um protótipo de baixa fidelidade e testá-lo com usuários internos que são usuários reais do software e que executarão tarefas de nível de operação. É interessante ter no mínimo duas soluções diferentes para o teste. O feedback recolhido ajuda a validar o conceito.
  3. Testes de usabilidade com MVP – uma vez definida a solução é desenvolvido um MVP para ser testado com usuários externos. Observar usuários interagirem com o sistema e realizar tarefas chave permite avaliar a hierarquia das informações e a sua experiência com a interface. O feedback é real, e é possível aplicá-lo diretamente na melhoria da experiência.

A necessidade de testes constantes é o principal motivo para que se façam análises mais rápidas e baratas. Este método tem um enorme impacto sobre a colaboração entre os envolvidos em um projeto, porque dissemina profundamente na equipe o entendimento dos usuários no processo de desenvolvimento do produto, e essa é uma abordagem muito poderosa. Contudo, sabe-se da dificuldade na realização destes testes. Para que a equipe alcance um nível maior de credibilidade, é necessário conscientizar todos os membros sobre as práticas de usabilidade.

Na Resultados Digitais, começamos a disseminar a cultura de UX por meio da validação de protótipos fiéis ao nosso produto. Fazemos testes de usabilidade internos com mais frequência, uma vez que a Resultados Digitais é cliente de seu próprio produto, além da rapidez no recrutamento e entrevistas. Também implementamos uma infraestrutura de testes A/B no nosso principal produto, o RD Station, para validação de pequenas hipóteses, o que instrui o time a tomar decisões mais acertivas e baseadas em ações reais do usuário. Aos poucos, estamos implementando internamente processos de design centrado no usuário na cultura ágil. Contudo, como toda apropriação cultural, a integração de UX e Metodologias Ágeis é algo que demanda tempo, pois toda a equipe deve perceber o valor e o impacto que os processos de UX têm para o sucesso do produto.

Lívia Amorim

Lívia Amorim

UI/UX Designer

Simone Beltrame

Simone Beltrame

UX Designer

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