Como fazemos nossos testes de usabilidade

Publicado por Simone Beltrame no dia design

Ao longo dos últimos meses temos intensificado nossos esforços para a realização de testes de usabilidade. Um teste de usabilidade deve ocorrer de forma natural para o usuário, de preferência no local onde ele costuma usar o seu aplicativo. Segundo Edu Agni, criador e editor do User Experience Blog, qualquer pressão ou simplesmente o fato de ele saber que está sendo observado pode alterar o comportamento natural e espontâneo do usuário. Uma alternativa é realizar teste de usabilidade remoto, além do usuário estar no seu local de trabalho, se torna muito mais rápido e mais barato do que fazer testes em campo, como afirma o autor Steve Krug no livro “Rocket Surgery Made Easy”.

O teste de usabilidade remoto é mais limitado que o teste presencial, pelo fato de que você não vê as expressões do seu usuário enquanto ele realiza o teste, perdendo informações de como está a experiência dele ao usar o seu produto. Mas mesmo num teste de usabilidade remoto você consegue captar o “estado de espiríto” do seu usuário por meio da fala, apesar de isso não ser algo que medimos, nos dá uma percepção se estamos entregando algo que faz sentido para os nossos usuários.

O nosso principal objetivo em realizar testes de usabilidade é tornar o RD Station cada vez mais fácil de usar, e com os testes remotos conseguimos medir a eficiência e o esforço dos nossos usuários ao realizar suas atividades utilizando o nosso software. Além disso, como muitos de nossos clientes são de outros estados, esses testes derrubam as barreiras de espaço entre nós e os clientes.

Como a gente faz

Os testes de usabilidade são uma parte do nosso processo de design. Geralmente os aplicamos com usuários externos quando temos um protótipo de alta fidelidade, que corresponde a interface real, funcionado. O Rodrigo Quaresma, o primeiro designer da Resultado Digitais, desenvolveu um ambiente de protótipo que é uma cópia do ambiente que está em produção, só que sem o back end. É neste ambiente que desenvolvemos toda a parte de codificação e front end das funcionalidades e aplicamos os nossos testes de usabilidade. Eles são feitos via Skype ou Google Hangouts com compartilhamento de tela. Você só precisa de um lugar tranquilo e (uma boa) conexão de internet.

Agendamento

Antes de iniciar o processo de agendamento em si, é preciso selecionar o perfil dos testers. Nós definimos as personas, que são os personagens fictícios criados para representar os diferentes tipos de usuários que usam a funcionalidade a ser testada e, então, recorremos a nossa base para selecionar os usuários. Geralmente escolhemos uma amostra de 50% de usuários com alto engajamento e 50% de usuários com baixo engajamento.

Consideramos que uma amostra 8 usuários é suficiente. Se você puder testar com mais usuários, melhor! Mas você vai perceber que os principais problemas de usabilidade da sua funcionalidade começam a se repetir após o terceiro teste.

Se você definiu que irá testar sua funcionalidade com 8 usuários, você deverá convidar no mínimo o dobro de usuários para o seu teste, tendo em conta que nem todos os usuários tem disponibilidade e interesse. Definidos os seus testers, é hora de enviar um convite para participar do teste de usabilidade. Costumamos dar uma breve explicação de como é feito o teste e oferecemos 2 sugestões de horário. Muitas vezes os usuários não respondem o email no dia e acabam se esquecendo de responder, por isso enviamos um email reforçando o convite no dia seguinte, quando obtemos o maior número de confirmação para participar do teste.

Geralmente nossos testes levam em média 20 minutos para serem concluídos, mas nós reservamos 1 hora para cada, já que contamos com eventuais atrasos ou imprevistos. Se tudo correr bem você tem um tempinho ao final de cada teste para compilar os dados para sua planilha de resultados.

Nós percebemos que os nossos usuários preferem participar dos testes na quinta ou na sexta-feira, então começamos o agendamento na semana anterior a do teste e condensamos todos nestes dias. Assim que o usuário aceita o convite, nós enviamos um email para confirmar o teste e agradecer pelo tempo que irá disponibilizar. Em seguida enviamos um convite no Calendário do Google para frisar bem a data e o horário.

Preparando o roteiro

Em paralelo ao processo de agendamento, nós preparamos o roteiro. Para isso, definimos o objetivo do teste e criamos um cenário onde é possível contextualizar o usuário e criar tarefas claras. O número de tarefas varia de acordo com o objetivo e a funcionalidade a ser testada. Nossos testes tem em torno de 4 a 6 tarefas.

Fazendo o teste

Tudo pronto para o teste! O ideal é que ele seja feito por duas pessoas: uma para conduzir e a outra para fazer as anotações enquanto o usuário realiza as tarefas. No entanto, se for inviável alocar duas pessoas, é possível realizar o teste com apenas uma pessoa. Isso não deve ser um impeditivo para não realizá-lo.

Teste de usabilidade em andamento na Resultados Digitais

Ao iniciar um teste, agradecemos a participação do convidado e começamos a explicar como o teste funciona para deixá-lo tranquilo. É sempre bom reforçar que estamos testando a ferramenta e não o usuário. Começamos o teste fazendo algumas perguntas introdutórias, como a idade, o cargo e qual a frequência costuma usar determinada funcionalidade, no caso de testar uma funcionalidade existente. Em seguida partimos para a realização das tarefas. É neste momento que pedimos ao tester para acessar o nosso ambiente de protótipo e compartilhar a tela conosco.

Nós usamos o “expectation rating” (taxa de expectativa), um método simples para descobrir se as expectativas do usuário em relação a funcionalidade estão sendo atendidas. Nos baseamos no livro “Quantifying the User Experience”, do Jeff Sauro e James R. Lewis, que mostra diversos métodos de quantificar testes de usabilidade. Perguntamos ao usuário antes de efetuar a tarefa o quão difícil ou fácil ele acha que a tarefa é, numa escala de 1 a 7. Ao finalizar a tarefa, perguntamos novamente para analisar esta variação.

Realizadas todas as tarefas definidas no roteiro, partimos para as perguntas de fechamento: quais foram as maiores dificuldades encontradas durante o teste e quais pontos mais gostou.

Analisando os resultados

Finalizada a bateria de testes, é hora de analisar os resultados. Utilizamos a planilha de anotações preenchida durante ou no final do teste. É onde temos as informações se a tarefa foi concluída com sucesso e se foi simples de executá-la, além de outras informações e insights.

Preparamos uma apresentação resumida dos dados mais importantes extraídos do teste. Para medir o ”expectation rating”, usamos um gráfico dividido em 4 quadrantes:

  • Promote it (promova isso): quando o usuário acha a tarefa difícil antes de fazê-la e ao realizá-la acha mais fácil do que esperava.
  • Big opportunity (grande oportunidade): quando o usuário acha a tarefa difícil antes de fazê-la e ao realizá-la continua achando difícil.
  • Fix it fast (conserte logo isso): quando o usuário acha a tarefa fácil antes de fazê-la e ao realizá-la acha mais difícil do que esperava.
  • Don’t touch it (não mexa nisso): quando o usuário acha a tarefa fácil antes de fazê-la e ao realizá-la continua achando fácil.

Gráfico expectation rating

Preenchemos também a tabela de efetividade, que consiste em mostrar de forma bem visual a quantidade de tarefas concluídas com sucesso pelos usuários e as que não foram concluídas:

Tabela de efetividade

Depois analizamos com mais profundidade cada tarefa, sua efetividade e esforço, as maiores dificuldades encontradas e recomendações de melhorias que são passadas ao time de desenvolvimento.

O resultado final é apresentado para a equipe que está envolvida no projeto e também de forma mais resumida para todo o time nas nossas reuniões mensais de release planning, onde apresentamos o que foi feito no mês que finalizou e planejamos o próximo mês.

Considerações finais

Os testes de usabilidade remoto são uma ótima alternativa de inserir o usuário no processo de desenvolvimento das funcionalidades, além de serem mais rápidos e baratos de executar.

O retorno de um teste de usabilidade é valioso e possibilita você a estar bem próximo do seu usuário, mesmo que remotamente. Além de permitir descobrir falhas em uma funcionalidade antes mesmo de ela entrar em desenvolvimento, economizando recursos.

Queremos que o nosso software seja fácil de usar, pois sabemos que assim é mais fácil vendê-lo e reter seus usuários.

Simone Beltrame

Simone Beltrame

UX Designer

Comentários