Como foi participar do Agile Trends 2016

Publicado por Raphael Farinazzo no dia agile

Coffee Break do Agile Trends 2016

O Agile Trends já é uma das principais referências de eventos sobre Gestão e Desenvolvimento Ágil no Brasil. Quem quer conhecer mais, se atualizar ou mesmo manter o networking em dia não pode deixar de participar!

Temos uma cultura ágil bem forte aqui na Resultados Digitais e não poderíamos deixar de marcar presença. Por isso, nos dias 29 e 30 de abril, tive o prazer estar em São Paulo representando a Resultados Digitais no Agile Trends 2016.

O que vai a seguir é um pouco da minha experiência, narrada de forma bem pessoal, nesses dois dias de evento - e mais um de happy hour! Recomendo também ouvir o CapyCast #8, que é uma conversa bem bacana que tive com o Jônatas, nosso CapyCaster, sobre o evento.

Happy Hour de abertura

Na noite anterior ao início do evento aconteceu o Open Trends, um happy hour no CUBO Coworking aberto a participantes do evento e demais interessados em conversar sobre o tema e interagir com toda a galera da comunidade Agile.

Uma coisa que posso dizer é: vale muito a pena participar desses happy hours! É sempre uma grande oportunidade de papo aberto com outros profissionais que vivem mais ou menos os mesmos problemas que você e sempre têm algo a acrescentar.

Primeiro dia do Agile Trends 2016

From Progress to Product: How do we get there?

O keynote de abertura foi do David Hussman, da DevJam. O tema era “From Progress to Product: How do we get there?” e foi um dos melhores talks do evento. Ele abriu falando do que aprendeu sobre Agile quando trabalhou com o Prince e o que mais me marcou foi ele dizer que o Prince usava uma guitarra Telecaster de iniciante e tirava dela um som que ninguém mais conseguia, sem nunca reclamar que “faltava recurso, faltava processo etc.”. Ágil demais! O David trouxe várias tendências de Product / Software Development e falou de como o Agile deve ser uma ferramenta de Gestão, mais do que de Software. Como eu gosto de quotes, anotei alguns durante o Talk:

“Mais do que desenvolver software, os times precisam pensar em desenvolver produto.”

“Não me diga que metodologia você está usando, eu não ligo. Mostre o que você está acrescentando ao mundo.”

“Reuniões de Planejamento devem ser como jam sessions de músicos. Ninguém chega lá para mostrar a cor da guitarra ou para ver o prato novo do baterista. Todos estão ali, juntos, para fazer música.”

Diversificação ou foco, qual a melhor estratégia para a sua empresa?

Depois do keynote, fui para o talk do Joca Torres, da Locaweb.

Ele comparou as duas estratégias de produto - linha extensa x produto único - e falou dos prós e contras de cada uma, além de dar exemplos da própria Locaweb com a Matriz BCG.

A grande vantagem de ter uma linha extensa (como o Google ou a própria Locaweb) é que as fontes de receita se diversificam também, ao contrário do foco em produto único, que é “tudo ou nada”. Por outro lado, ter um único produto (como é o caso da Resultados Digitais) possibilita concentrar todo o esforço em sua excelência. Mas claro, isto é só o meu resumo!

Learning 3.0

Dali fui para o talk do Leandro Ângelo (CI&T) sobre Learning 3.0. Foi muito bacana.

Para entender o que é, dá para resumir nesta foto:

Learning 3.0

“Aprendizes definem as perguntas e respostas” é o grande mote. O Leandro trouxe bastante da experiência da CI&T em implementar uma cultura de aprendizado contínuo, com o Learning Canvas e algumas práticas do Kaizen.

Best Practices for High Effective Meetings

Logo depois teve o talk do Dairton Bassi (Agile Trends) sobre práticas para reuniões mais efetivas. Destaco as boas práticas:

  1. planejar as reuniões com antecedência;
  2. deixar claros os objetivos a todos os participantes;
  3. enviar materiais necessários com antecedência;
  4. convidar para a reunião só quem realmente precisa estar lá; e
  5. rejeitar convites para reuniões que não fazem sentido para você.

Perguntei ao Leandro e ao Dairton como eram esses desafios (de learning e reuniões) aplicados a times remotos. Eles recomendaram não fazer reuniões “meio presencial, meio remoto” pois acabam deslocando quem está remoto.

Nesses casos, é melhor fazer 100% hangouts, ou seja, mesmo os que estão presentes devem ir para o hangouts! Em relação ao learning, realmente há perda (especialmente Dojos e Hackathons), mas cada time pode e deve se inspirar no Learning 3.0 e aplicar o que for realizável, dadas as circunstâncias.

Chega de “tapa na UX”

Em seguida, fui ver esse Talk que eu já estava bastante a fim de ver, do Tiago Silva, da Unifesp. Ele trouxe experiências bem práticas, que todo time pode aplicar, inspiradas no The Fable of the User-Centered Designer. Ele falou bastante de algumas práticas muito efetivas e bem comprovadas aqui na RD: entrevistar os usuários, definir bem as personas que usam o produto, fazer testes de usabilidade, validar as hipóteses que surgiram no estudo do problema, entre outras. Para quem quiser saber mais, os slides estão aqui.

Depois da Talk troquei uma ideia com ele e falamos um pouco mais de personas e de como evitar sobrecarregar clientes que nem sempre estão engajados para colaborar com pesquisas, testes e sugestões. A solução recomendada por ele é ter os Design Partners, que seriam aqueles clientes que voluntariamente se dispuseram a ajudar constantemente.

Controlefobia

Aí teve um Fish Bowl sobre Controlefobia, que foi bem interessante. O papo ficou em torno da conciliação entre planejamento, visibilidade, confiança e autonomia. O que ficou para mim? Que para ter visibilidade, é preciso saber o que quer saber, saber quanto custa saber isso e ter claro do que abriria mão para ter essa informação. Do timesheet a um simples sprint report, todo controle tem um custo. É imprescindível que ele se pague.

Startups financeiras inquietas

Mudando de sala, vi 2 talks muito legais. O primeiro sobre startups do mercado financeiro, com o Rafael Nascimento (Adaptworks e founder do Vai Sobrar).

Ele falou sobre disruption e na visão dele, o Mercado Financeiro é o próximo a passar por esse processo. Diferente do que aconteceu no transporte (com o Uber) ou na música (começando com o Napster), ele entende que não será um único produto disruptivo, mas sim um conjunto de várias Fintechs que serão “um cardume de peixes mordendo os tubarões”.

Não adianta só ser Ágil. O negócio é ser Pragmático.

O segundo foi do Juan Bernabó (Germinadora) e também teve uma abordagem bem interessante. Ele reforçou que as metodologias ágeis são “remédios” e ninguém chega no médico dizendo “meu problema é falta de antibiótico”. É importante saber quais são as dores e ver o que faz sentido prescrever. Em outras palavras, ser pragmático!

Segundo dia do Agile Trends 2016

Aproveitei o segundo dia para ficar um pouco mais na área de stands e coffee break, conhecendo pessoas e trocando experiências.

Foi bem legal conversar e almoçar com o pessoal do stand da ContaAzul, startup pela qual eu pessoalmente torço bastante; participar do Open Talk sobre Cultura de Autonomia no stand da Adaptworks com o Davi Gabriel, da Geekie; e falar com caras como o Tiago Silva (Unifesp), o Luis Fabiano Figaro (Viva Real), um papo rápido com o Paulo Caroli (Thoughtworks), entre outras pessoas fenomenais. O grande valor disso foi trocar experiências com uma galera que vive o Agile no dia-a-dia e tem muito conhecimento para agregar!

Além dos times. O papel da tecnologia e agilidade na evolução das organizações.

Voltando aos talks, de manhã vi o keynote do Alexey Villas Boas. Ele falou sobre blitzscaling, que é a prática de assumir débitos (financeiros, técnicos, de produto) para crescer em ritmo acelerado. Isso não significa “crescer a qualquer custo”, claro. Essas dívidas têm que ser assumidas com consciência, porque cedo ou tarde haverão de ser quitadas.

Um quote dele que anotei e me marcou:

A gestão focada em eficiência operacional não é mais adequada às necessidades atuais; a empresa deve escolher entre responder rapidamente a mudanças ou focar em excelência operacional.

Essa frase é o coração de um dos principais valores do Agile: “valorizamos responder a mudanças mais que seguir um plano”.

Ready, Sync & Go: Uma abordagem comprovada para adotar Ágil em Escala

Também vi o Hugo Azevedo falar de Ágil em escala e como escalar Agile. Algo que me marcou foi do quanto o mundo já vê “duas ondas de Agile”:

  1. Na primeira, veio a aplicação de métodos e frameworks ágeis no desenvolvimento de software, inspirados em práticas iniciadas em outras indústrias (como a automobilística e a têxtil).
  2. Nesta segunda onda, que ele acredita estar começando a ganhar força no Brasil, o pensamento e a cultura de Agile estão se integrando a toda a cadeia de valor - gestão, vendas, integração entre áreas, financeiro, RH… com os todos times trabalhando em mais sincronia.

Isso é bem interessante, porque reforça a questão do Ágil como cultura a ser disseminada na organização, mais do que uma abordagem de software ou produto.

Teletransporte e OKRs: Um estudo de caso

Depois vi um Talk muito bacana com o Luis Fabiano Figaro sobre OKRs. Ele trabalha com a metodologia desde 2013 e pessoalmente, recomendo que você comece agora mesmo a adotar OKRs na sua empresa ou até na sua vida pessoal!

O Luis apresentou uma empresa fictícia para narrar uma história real de dificuldades na implementação de OKRs, como:

  1. Objetivos das áreas desalinhados ao da empresa.
  2. Excesso de objetivos e dificuldade de foco.
  3. “Set and forget”, ou seja, só lembrar do OKR no fim do trimestre.
  4. Setar métricas não numéricas e/ou pouco ousadas.
  5. Achar que o OKR é a única coisa a ser feita na empresa.
  6. Associar batimento de OKRs a bônus financeiro, comissões e afins.

Contratação e Networking 3.0

O keynote final foi uma entrevista coletiva com o Rafael Pereira, da LinkedIn, sobre Contratação e Networking.

Rafael Pereira no Agile Trends 2016

Ele atua como consultor do LinkedIn, ajudando empresas a recrutar e selecionar candidatos, e trouxe várias informações legais sobre o mercado de trabalho para Tecnologia na América Latina (sim, foi o que menos sofreu com a crise!).

Falou também da importância de criar o que o mercado chama de “Marca Empregadora”, que é a parte da marca que foca na atração de talentos, explicando o que significa trabalhar ali e construindo um relacionamento com os talentos do mercado, independente de ter ou não vagas abertas. Citou algumas práticas importantes para construir uma marca empregadora, como a participação constante em eventos da área e a publicação de artigos/posts (blog ou social) sobre o dia-a-dia da empresa.

O que ficou?

A maior parte dos palestrantes reforçou que mais importante do que a metodologia ágil é a cultura ágil. Foi isso que ficou, para mim. É importante incorporar os valores do Manifesto Ágil antes de sair implementando práticas prontas. Os valores devem servir de critério para as decisões do dia-a-dia, para que fiquem gravados “no coração” da empresa.

Nesse processo, vale fazer testes, experimentar ferramentas, frameworks… mas o principal é não descuidar de entregar sucesso ao usuário.

No fim das contas, o cliente simplesmente não se importa com as etapas do seu Kanban ou o tempo de duração de suas daily meetings. O que ele quer é conseguir resolver um problema e quando ele encontrar seu produto, é melhor que ele consiga!

Como tem sido essa experiência para você? Compartilhe com a gente nos comentários!

Raphael Farinazzo

Raphael Farinazzo

Product Manager

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