Custo da oportunidade de não usar Cloud

Publicado por Bruno Ghisi no dia gestão

Uma das razões do RD Station ter crescido tão rapidamente foi, sem dúvida, a nossa direção tecnológica de usar serviços disponíveis na cloud. Resolvi escrever este post pois ainda encontro empreendedores e desenvolvedores que costumam achar caros certos serviços na nuvem. Na Resultados Digitais não apenas terceirizamos serviços relacionados a operação do nosso produto, mas também o ferramental do dia-a-dia de trabalho nas mais diversas áreas da empresa, como ferramentas de comunicação, vendas e suporte, servidor de integração contínua, entre outros.

O objetivo aqui não é mostrar as vantagens de computação na nuvem - até porque acredito que você já está usando ela - mas sim explicar as diferenças dos diversos serviços e o custo de oportunidades de investir em soluções mais prontas durante a jornada da sua empresa. Além disso, mostrarei algumas questões relacionadas ao processo de decisão na escolha de um serviço na cloud e o acompanhamento dos seus custos na operação.

IaaS, PaaS e SaaS

Os modelos comuns para prover serviços na cloud são:

  • IaaS: Infraestrutura como serviço. É a base da pirâmide provendo máquinas virtuais, armazenamento, servidores, etc. Você pode usar recursos computacionais para desenvolver o que desejar sobre esta infra. Um típico exemplo é a Amazon.

  • PaaS: Plataforma como serviço. Provê um nível acima com um ambiente de execução, banco de dados, etc. Permite menos customização, mas já apresenta um ambiente pronto para uso. Exemplo: Heroku.

  • SaaS: Software como serviço. Provê a aplicação no nível de usuários finais, por exemplo, aplicações de CRM e marketing, como o RD Station.

Cloud computing layers

Custos de cada serviço

Existe uma série de custos diretos e indiretos em cada um dos tipos de serviços acima. Alguns argumentos que você provavelmente já ouviu:

  1. IaaS é muito caro. Vou instalar em um servidor local, pois é “só um servidor de integração contínua”, basta baixar este projeto open source e configurar;
  2. PaaS é muito caro. Vou configurar em um IaaS, pois me dará flexibilidade e é muito mais barato;
  3. SaaS é muito caro. Vou criar uma planilha ou fazer manual que resolverá agora.

IaaS é muito caro

Acredito que é o que existe menos restrição hoje. A maioria das empresas não pensa em ter uma infra local. De fato nunca instale nada no seu escritório e não crie um data center. Você precisaria antecipar dinheiro para aquisição de hardware, desenvolver processos para gestão e o acompanhar o crescimento. Tudo isto tende a ser caro.

PaaS é muito caro

Ao mesmo tempo que o custo é menor estando mais próximo da base (IaaS), provavelmente você precisará investir mais em desenvolvimento e manutenção. IaaS possui ticket menor pois modelo de cobrança é baseado diretamente no consumo de recursos computacionais, ou seja, menos valor agregado e/ou serviços adicionados.

Também existem outros custos escondidos nesta decisão. Setar uma máquina talvez seja a parte mais simples do processo. Após ela estar configurada, quem irá atualizar as versões? Garantir a segurança? Criar processos de operação? Criar scripts para integrar outros sistemas da sua empresa? Ou seja, na medida que crescer, você irá precisar de um time dedicado e também estruturar estes novos processos, o que pode tornar muito mais caro pelo tempo de investimento.

É mais um desfoco. Se você precisa investir algo que não é o seu core business, você está deixando de investir esforços financeiros e de desenvolvimento, que principalmente no início da empresa, são bem limitados. Existem uma série de hipóteses de negócio para serem validas, então você precisa andar rápido. Para andar rápido é preciso manter o foco.

Um outro argumento é a questão da possível falta de flexibilidade. Você de fato precisa algo flexível que seja muito diferente dos milhares de clientes que estas soluções PaaS já atendem (seu negócio é muito específico)? Ou você precisa de um plano especial de suporte? Se a segunda, considere um plano que contemple isso ou contrate após o crescimento. Em muitos negócios será melhor andar rápido do que ter tal flexibilidade.

SaaS é muito caro

Dificilmente você fará algo melhor que uma empresa que captou investimento e o foco dela é prover aquele serviço. Ela possui um time dedicado a fazer a melhor solução possível naquilo que se propõe, será difícil fazer algo a altura com alguém part time na sua empresa. Com uma ideia de economia irreal, às vezes burra, tendemos a gastar bastante tempo colando “soluções alternativas” ao invés de usar diretamente o que resolve o problema. Pense em um modelo de negócios que permita você trabalhar com as melhores soluções mantendo o foco naquilo que você é bom.

Outro ponto é o fato de pensar em como a sua empresa irá escalar. Se você toma uma decisão que dificulta isso hoje - ou não vê ela evoluindo com esta decisão -, é bom reconsiderar. Você precisa enxergar como ela cresce para tomar decisões que às vezes antecipam um investimento, mas evitam o dobro de gastos de migração.

Por exemplo, no nosso mercado, é muito mais barato usar o RD Station para as tarefas de marketing digital das empresas do que soluções “gambiarras”. Essa integração traz outros benefícios por evitar o uso de outros softwares e planilhas que, normalmente, geram perda de foco e gasto extra.

COGS x modelo de negócio

De maneira geral, cloud não deveria ser um problema desde que o seu modelo de negócios suporte. Este custo deve ser um percentual do COGS do ticket que é cobrado pelo seu serviço. Isto permite que você escale rápido e tercerize. Acompanho diretamente nossos custos por cliente e ticket médio, temos metas para isso, assim conseguimos ter embasamento na tomada de decisões de como evoluir a infraestrutura.

A sua infraestrutura em um dado momento estará dimensionada para uma quantidade limitada de clientes. Obviamente, uma das vantagens da cloud é a possibilidade de facilmente escalar o consumo. Desta forma, normalmente considero dois tipos de custos.

  1. Escala proporcional: escala de acordo com a adição de clientes. Por exemplo, você coloca um cliente que utiliza storage e paga proporcionalmente pelo seu uso;
  2. Escala em degrau: escala de acordo com um grupo de clientes. Por exemplo, você possui um limite no plano atual de banco de dados que atende mil clientes. Quando você ultrapassar este valor, irá precisar de um novo plano, que irá escalar para mais usuários e em um primeiro momento irá aumentar bastante o seu COGS até diluir novamente.

No caso do uso de serviços internacionais, é bem importante também acompanhar a variação do dólar pois afeta diretamente.

Caso de exemplo

Temos uma aplicação que cada disparo de email custa R$0,01 e permite 1.000 disparos mensais no plano. Além disso, a infra estrutura custa R$1.000, permite escalar para 100 clientes. No momento só temos 50 clientes.

Neste caso, seu custo por cliente fica:

  • R$0,01 * 1000 emails = R$10 considerando que dispare a quantidade máxima de emails no plano. 

  • R$1.000 / 100 clientes = R$10 de infra na escala máxima. R$20 no momento por ter apenas 50 clientes.

O total de infra ficaria R$30 por cliente neste momento e poderia chegar a R$20. Supondo que seu ticket médio neste plano seja de R$300, isto representaria de 10% a 15% (escala máxima) de custo de infraestrutura.

É importante você entender como seu custo escala para montar seus planos de vendas e planejar o crescimento (e upgrades). Você precisa entender quanto um cliente que utilizar X recursos da sua aplicação irá gastar, por exemplo emails disparados ou quantidade de usuários.

Processo de decisão

Na Resultados Digitais, quando vamos decidir por alguma solução na cloud, criamos uma matriz de decisão. Levantamos os itens técnicos e não técnicos (ex: preço) que são importantes na avaliação e cruzamos com as soluções existentes.

Entramos em contato com Suporte para “espionar” como é realizado na prática, pesquisamos com outras empresas em fóruns como Quora, analisamos os clientes.

Também entendemos como aquele custo escala com seu modelo de negócio e os lock-ins que aquele serviço pode trazer para evolução/mudança futura.

Somente depois de passar por todo esse processo é que selecionamos, efetivamente, quem iremos testar.

Dito tudo isto, só existem duas razões para mudar de serviço na cloud: diminuir custos e/ou prover um serviço melhor. Se você estiver operando dentro da sua meta de custo de operação, vá em frente rápido e foque em seu negócio.

Bruno Ghisi

Bruno Ghisi

CTO

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