Os desafios em 1 ano como Líder de Engenharia na RD

Publicado por Victor Hugo Bernardo no dia gestão

Time de Produto, Design e Engenharia da Resultados Digitais no Team Building para o Quarter 2 de 2017

No último dia 23 de maio, completei 1 ano de Resultados Digitais. Antes daqui, havia trabalhado por 16 anos em uma única empresa, e fui desligado em um momento de crise. Naquele momento, resolvi ir em busca de uma oportunidade que me desafiasse. A RD vinha (e continua) se destacando no mercado, crescendo e se mantendo ágil, com grandes desafios de escala, vi que tinha muita afinidade com o que eu estava procurando.

Passado 1 ano, senti que foi uma excelente escolha, pois foram muitos desafios superados nesse período. Vou falar um pouco deles no decorrer deste artigo. A RD é uma empresa que te desafia a ir além dos seus limites o tempo todo. É impossível ficar mais de um mês e não sentir evolução.

Primeiro desafio

Nas 2 primeiras semanas de RD já tive o primeiro desafio: o get-ready, um período de imersão na cultura, negócio e estratégia da empresa. Todos os colaboradores novos passam por ele juntos, independente da área e posição que vão ocupar.

Esse período é muito intenso, usamos o produto da RD, falamos com potenciais clientes, tiramos certificações, conhecemos todas as áreas da empresa, tudo isso em 2 semanas. Saímos de lá com a sensação de estar na RD desde a sua fundação.

Primeira Missão: Tech Leader de dois times

Houve uma grande mudança na área de Engenharia 5 meses antes da minha entrada. O time foi dividido em 7 squads, cada um com a missão de se especializar em uma temática do produto, com autonomia para decidir o rumo que a sua parte do produto iria tomar, com alinhamento à estratégia da empresa. Nessa mudança, os Scrum Masters viraram Tech Leaders e passaram a ser responsáveis pela gestão do time (pessoas e processo).

Entrei na RD com a missão de substituir dois Tech Leaders, que manifestaram o desejo de voltar para carreira técnica, por não se identificarem com os desafios da gestão. Tenho 16 anos de experiência com Desenvolvimento de Software, sendo os últimos 6 anos trabalhando como Líder de equipes e pessoas. Aparentemente, um desafio não muito complexo, certo? Errado.

Ponto importante: primeiro dia de RD, sento com o meu gestor, que já deixa bem clara a expectativa com relação ao meu trabalho, e me dá total autonomia para trabalhar com o time, desde que respeitando os valores da empresa e mostrando resultados.

Desafio: vencer crenças e desconfiança

Logo no início tomei um susto, fui almoçar com o PM (Product Manager) e TL (Tech Leader) de um dos times e eles me disseram que tinham 24 anos cada um, e que eram os mais velhos do time. Eu tinha uma crença que maturidade e senioridade exigem tempo, experiência, logo, seria um desafio esse cenário.

Outro desafio foi ganhar a confiança dos times que assumi e da área, por ser diferente naquele momento: primeiro Tech Leader de fora (não era prata da casa), primeiro a gerir 2 times e porque eu vinha de um contexto tradicional (mais controle). Dava para sentir a preocupação de alguns: acabou a liberdade.

As conversas de 1-1 com os membros do time foi o ponto chave para vencer esses desafios. Trouxe o foco das conversas para as pessoas, discussão de projetos e OKRs devem ser feitas com o time, em outro fórum. Busquei entender o momento de cada um, objetivos de carreira e principais dificuldades. Usei minha experiência para ajudar as pessoas a definirem um caminho para crescer, com algumas técnicas de coaching e mentoring, e assim comecei a ganhar a confiança delas dentro dos times.

Nessas conversas, percebi uma maturidade surpreendente (devido à minha crença). Pessoas jovens com muita clareza do que queriam para carreira, e até mesmo da vida. Aprendi muito com eles, continuo aprendendo todos os dias, e aos poucos minha crença foi sendo desconstruída, temos muitos jovens seniores na RD.

Desafio: a famosa agilidade

Como ajudar uma empresa referência em agilidade a continuar evoluindo? Essa era minha principal preocupação antes de entrar na RD, um grande desafio.

No primeiro mês, fiquei apenas observando o time, acompanhando cerimônias, entendendo os desafios, deixando a equipe decidir, para entender melhor o estado atual do time. Percebi que poderia ajudar com minha experiência. Segurar a ansiedade do time, muita energia em jogo, todos com boa intenção, querendo entregar, mas nem sempre remando para o mesmo lado. Mostrar a importância do planejamento, avaliar riscos, priorizar e tomar decisões, que em alguns momentos não vão agradar, mas precisam ser tomadas e comunicadas de forma adequada (essa era uma das grandes dificuldades dos Tech Leaders).

Após esse período de conhecimento do time e pessoas, iniciamos uma revisão do nosso processo. O time vinha muito focado na entrega, olhando pouco o processo como um todo. Começamos definindo o que é ser ágil, relembrando valores e princípios do manifesto ágil, refletindo em conjunto quão ágeis estávamos sendo. Após essa reflexão, readequamos em conjunto o processo. E a partir daí, passamos a ter um processo de melhoria contínua retroalimentado pela equipe, que passou a se sentir dona do processo, antes esperavam muito do Tech Leader as orientações de como evoluir.

Desafio: papéis e responsabilidades

Como comentei, 5 meses antes foi feito uma grande mudança na área de Engenharia. Os times ainda estavam se adaptando, se conhecendo, entendendo as responsabilidades de cada um dentro do time. Nesse contexto de adaptação, encontrei alguns desafios:

  • PMs e TLs: ambos têm um papel de liderança dentro do time, mas com responsabilidades distintas. Encontrei PM exercendo papel do TL (feedbacks, decisões de engenharia, retirar impedimentos etc), muito pelo fato do TL não se identificar com gestão. Virar a chave exigiu algumas conversas, evangelização, alinhamento de expectativas.
  • QAs: muitos passaram a trabalhar com um QA dentro da squad pela primeira vez. Adaptação estava complicada quando entrei, gerando conflitos no time, principal consequência: testes como gargalo. Fizemos um trabalho de evangelização com o time, para entender o papel do QA (não é um testador), inserir no dia a dia do time, não apenas no final do processo, discutindo abertamente nas Retrospectivas do time.

Desafio: falar em público

Não me sinto muito à vontade falando em público, principalmente para um público que tenho pouco contato, e sobre assuntos que tenho pouco domínio. Outro agravante, falar com microfone na mão, parece que tudo fica mais difícil.

Na RD, essa minha dificuldade foi desafiada mensalmente, na Retrospectiva de Produto. Cerimônia onde os Tech Leaders dos times apresentam para toda a área (aproximadamente 90 pessoas) os aprendizados e status dos projetos.

Trabalhei minhas dificuldades para vencer mais esse desafio: estudar mais para ter domínio sobre os assuntos, treinar (inclusive com microfone), colher feedbacks, principalmente dos meus times (afinal, represento eles na Retrospectiva, e em geral, são bem críticos nos feedbacks). Sinto que evoluí, o nervosismo diminuiu, mas ainda tenho muito a evoluir.

Apresentacão ao time durante o team building do Q1 de 2017

Desafio Extra: SWOT área Engenharia

Algo muito legal na RD é que temos oportunidades e somos incentivados a participar e/ou contribuir em outros projetos, fora do seu escopo de atuação no time, e assim desenvolver novas habilidades.

Em 2016 rodamos análise SWOT da área de Engenharia. Todo time foi convidado para contribuir: quais fortalezas e fraquezas, oportunidades e ameaças de curto, médio e longo prazo. Formamos uma comissão para analisar as contribuições do time e priorizar essas ações, criando projetos para serem executados ao longo do ano.

Experiência muito enriquecedora. Avaliar problemas e sugestões de toda área, diferentes pontos de vista, debater em uma comissão multidisciplinar, discutir e validar com a gestão da área. Consegui contribuir bastante com minha experiência. Inclusive estou puxando um dos projetos que foram priorizados, para reforçar Culture Code na nossa área.

Resultados

Foram 2 quarters como Tech Leader de dois times, foram grandes entregas e vitórias. Tivemos derrotas também, mas aprendemos com elas e evoluímos. E com isso, fui conquistando também a confiança de toda área.

Times comemorando as entregas para o RD Summit 2016

Com os desafios evoluindo, resultados aparecendo, meu escopo de influência dentro da área foi aumentando aos poucos. Passei a fazer benchmarking com alguns Tech Leaders, para trocar experiência. Pessoas da área que não respondiam diretamente pra mim passaram a me procurar para fazer 1-1, ajudar na carreira, pedir dicas.

E no início do ano seguinte veio o reconhecimento, com um certificado como destaque Lean da área, escolhido por votação de toda área, e com uma nova missão, que será explicada a seguir.

Prêmio de destaque recebido durante o team building do Q1 de 2017

Segunda Missão: Engineering Manager de duas Tribos

No início de 2017, fizemos uma evolução na estrutura da área, criamos as Tribos: conjunto de times que trabalham na mesma temática, sob uma mesma gestão. Neste momento, assumo o desafio de gerenciar duas Tribos.

Principal desafio é fazer acompanhamento mais próximo dos times da Tribo, ajudar os Tech Leaders a evoluírem como gestor de time e pessoas. Outro desafio é aproximar os times da Tribo, trocar experiência e se ajudar mais.

Em breve outro post para detalhar os aprendizados, que tem sido bem legais até o momento, mas não vou dar spoiler.

Tribos de Customer Journey e Lead Generation

Desafio: repassar times para outro Tech Leader

Para assumir essa nova missão, fiz o repasse da posição de Tech Leader dos dois times para outro Tech Leader, para poder me dedicar ao novo desafio. Principal preocupação nesse processo de repasse eram as pessoas, não perder nenhum detalhe, pontos positivos, melhorias, evolução, planos de ação, todos os detalhes deveriam ser repassados.

Fizemos 2 sessões de 1-1 em conjunto (eu e o novo Tech Leader) com cada membro do time, primeira eu puxei a reunião, na segunda o novo Tech Leader. Nessas 2 sessões, bolamos um plano de desenvolvimento em conjunto para cada um. Também fizemos algumas cerimônias em conjunto (Planning, Retrospectiva, Dailys), da mesma forma, as primeiras eu puxando e depois o novo Tech Leader.

Dessa forma, acreditamos que todos os detalhes do time foram repassados, não tivemos perdas de informação. E o novo Tech Leader, assim como eu tive, tem toda autonomia para trabalhar com o time. Eu continuo acompanhando esses times, agora como Líder da Tribo.

Desafio: Palestra em Eventos

Já comentei sobre minha dificuldade de falar em público. No dia 18 de março superei mais um desafio, eu e Rafael Justino (PM) fizemos uma Palestra no Agile Floripa, contando a história da área de Engenharia da RD, como saímos de 5 para 100 pessoas em 5 anos, nos mantendo ágeis, com uma estrutura enxuta, com autonomia para as pessoas e crescendo

O fato de ter feito uma palestra em um grande evento, com 100 ou mais pessoas assistindo, 95% delas desconhecidas, era algo inimaginável pra mim 1 ano atrás. E já fizemos um segundo evento; uma Palestra no TDC de Florianópolis, no dia 05 de Maio.

Out-teach é um dos valores do nosso Culture Code. Fui desafiado a trabalhar esse valor assim que mudei minha missão, com todo suporte da RD, claro. E estou conseguindo vencer mais esse desafio.

Apresentacão no TDC Florianópolis

Desafio: Processo de Coaching

Fiz um Treinamento de Coaching em Março de 2017, tive um aprendizado sensacional. Busquei de alguma forma aplicar o que aprendi na RD, ou seja, esse desafio foi eu mesmo que criei. Compartilhei com meu gestor a ideia, que me deu total apoio para fazer um POC (prova de conceito), aplicando Processo de Coaching com 4 pessoas na área de Engenharia e avaliar o resultado. Estou fazendo com pessoas da minha Tribo e de outras também. Ainda é cedo para falar de resultados, talvez em um próximo post.

Próxima Missão

A RD continua com um ritmo de crescimento acelerado, a cada dia novos desafios surgem com a escala. Completo 1 ano na RD, mas parece que estou aqui há muito mais tempo, pela intensidade de tudo que vivi e aprendi. Todos tem essa mesma sensação na RD, parece que estamos lá há muito mais tempo do que realmente estamos.

No momento, estou focado em fazer um bom trabalho nos meus atuais desafios, trazer resultado para RD. E ao mesmo tempo, quero estar preparado para ajudar em outras frentes, que me tragam mais conhecimento. Não sei quais serão as próximas missões, só tenho certeza de uma coisa: irão me desafiar a ir além dos meus limites.

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Victor Hugo Bernardo

Victor Hugo Bernardo

Engineering Manager, Customer Journey and Lead Generation

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