Por que precisamos falar sobre diversidade de gênero em eventos de TI?

Publicado por Lívia Amorim e Ana Paula Vale no dia dev, eventos

Rails Girls Floripa 2016

Nos últimos anos um movimento de estímulo à participação feminina começou a se estabelecer nos eventos de tecnologia. Vemos iniciativas como o Rails Girls, Django Girls, e Technovation Challenge acontecendo em diferentes cidades, levando a possibilidade de meninas e mulheres conhecerem e apostarem na área da tecnologia.

Além dessas ações, conferências maiores como The Developer’s Conference, BrazilJS e Front in BH também abriram espaço para a pauta de diversidade de gênero. Podemos ver trilhas específicas para mulheres iniciantes, como é o caso do TDC4Women, e até uma grade de palestras diversificada com representações femininas. Além disso, o estímulo à participação feminina é feito através de descontos e campanhas voltados para este público.

Não deveria ser novidade falar sobre isso. Sabemos que foi – também – graças às mulheres que demos grandes passos nas ciências da computação, seja com os primeiros algoritmos processados por máquina de Ada Lovelace ou com a criação do ENIAC nos Anos 40. Sobretudo, não deveria ser novidade falar sobre participação feminina em qualquer área, ainda mais em pleno XXI.

ENIAC

Então por que falar sobre diversidade em TI?

Mesmo sabendo nosso papel na história da computação, ainda vai demorar 118 anos para que a igualdade de gênero seja realidade (World Economic Forum, 2016). É por isso que ainda precisamos falar sobre diversidade de gênero. Desde a primeira infância as meninas são desestimuladas nas ciências exatas, e isso se amplia com o passar dos anos, na escolha de um curso na universidade e, em seguida, na hora de pensar em carreira. É algo enraizado na cultura e que prejudica não só as mulheres, mas todo o mercado de TI.

A falta de diversidade cria ambientes nocivos para as poucas mulheres da área e enviesa produtos (que passam a ser pensados para homens). E isso sequer faz sentido do ponto de vista econômico, sendo que já é comprovado que, em ambientes diversos, o financial performance das empresas tende a ser maior (McKinsey & Company).

Por isso, quando falamos em eventos de tecnologia mais abertos à pauta da diversidade de gênero, estamos falando sobre algo que será bom para todos os lados. Para as pessoas e para a economia mundial. Sabe aquelas fotos com as mulheres participantes no palco dos eventos? Não são de unicórnios na selva, mas de pessoas lutando por espaços mais diversos.

Nossa experiência na BrazilJS

A última conferência em que estivemos presentes foi a BrazilJS em Porto Alegre. Eram 24% de mulheres, onde de 29 palestrantes, 7 eram mulheres. Parece pouco, mas se olharmos para trás, esse número é bem impactante. Reforça o quanto a presença feminina é importante, e essa representatividade impacta diretamente no número de participantes – eram muitas mulheres, mesmo.

As palestrantes do evento trouxeram assuntos diversificados: desde frameworks JS, como Vue.js e Angular, até formas de trabalhar com Microservices e Machine Learning usando NodeJS. São assuntos técnicos que muitas pessoas poderiam imaginar ser realidade apenas de homens.

Ao final do evento todas as mulheres foram convidadas a subir no palco, que ficou lotado. Foi uma sensação de dever cumprido. Mesmo assim, após o evento, algumas mulheres receberam ameaças por terem sido chamadas àquele palco e falado sobre as situações ruins e desconfortáveis que já passaram. Os homens que ameaçaram alegavam estar perdendo espaço para as mulheres no meio de TI.

Brazil JS 2017

Nós não subimos naquele palco com a intenção de excluir os homens. Nós fomos buscar mais espaço de representatividade, que é pouco visto em todos os eventos de tecnologia que participamos. As pessoas precisam entender que nós, mulheres, não queremos tirar o espaço dos homens, mas participar e dividir. Tem espaço pra todo mundo!

E aí, vai mais um Rails Girls? Ou um Django Girls?

Estamos buscando mudar essa realidade todos os dias. A contratação de mulheres em tecnologia é uma preocupação e estamos sempre correndo atrás disso. Mas nada vem da noite pro dia. Não é sobre contratar mulheres de outras empresas, levantar nossos números de contratação e fingir que está tudo bem. Temos que mudar a cultura e impactar o mercado como um todo.

O Rails Girls e Django Girls têm essa premissa: trazer meninas e mulheres para conhecer e degustar o mundo do desenvolvimento de software. Mostrar que elas podem ocupar diversos espaços e são capazes de criar código. A ideia é que elas consigam, ao final do dia, criar uma aplicação Rails ou Django.

Nos dias do evento reunimos mentoras mulheres para deixar o ambiente mais confortável e estimular o aprendizado. Lembrando que não descartamos a ajuda de homens, mas fazemos questão de trazer mais mulheres para organização e mentoria para deixar o evento mais representativo. Dar aquela sensação de sororidade e mostrar que estamos juntas.

O último Django Girls Florianópolis aconteceu no dia 11 de novembro e foi um sucesso! O Rails Girls acontecerá nos dias 08 e 09 de dezembro e está com inscrições esgotadas.

Lívia Amorim

Lívia Amorim

UI/UX Designer

Ana Paula Vale

Ana Paula Vale

Quality Assurance

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